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domingo, 21 de maio de 2017
Homens e bichos, antológica obra de Otacílio Cartaxo
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domingo, 16 de abril de 2017
Borracha e o imbróglio do peru do Bernardino!
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Valiomar Rolim
terça-feira, 11 de abril de 2017
O que diz Jean-Paul Sartre sobre os imbecis

Jean-Paul Charles Aymard Sartre1905 — 1980 foi um filó-sofo, escritor e crítico francês, conhecido como representante do existencialismo. Acreditava que os intelectuais têm de desempenhar um papel ativo na sociedade. Era um artista militante, e apoiou causas políticas de esquerda com a sua vida e a sua obra.
Repeliu as distinções e as funções problemáticas e, por estes motivos, se recusou a receber o Nobel de Literatura de 1964. Sua filosofia dizia que no caso humano (e só no caso humano) a existência precede a essência, pois o homem primeiro existe, depois se define, enquanto todas as outras coisas são o que são, sem se definir, e por isso sem ter uma "essência" que suceda à existência. Ele também é co-nhecido por seu relacionamento aberto que durou cerca de 51 anos (até sua morte) com a filosofa e escritora francesa Simone de Beauvoir
Jean-Paul Charles Aymard Sartre1905 — 1980 foi um filó-sofo, escritor e crítico francês, conhecido como representante do existencialismo. Acreditava que os intelectuais têm de desempenhar um papel ativo na sociedade. Era um artista militante, e apoiou causas políticas de esquerda com a sua vida e a sua obra.
Repeliu as distinções e as funções problemáticas e, por estes motivos, se recusou a receber o Nobel de Literatura de 1964. Sua filosofia dizia que no caso humano (e só no caso humano) a existência precede a essência, pois o homem primeiro existe, depois se define, enquanto todas as outras coisas são o que são, sem se definir, e por isso sem ter uma "essência" que suceda à existência. Ele também é co-nhecido por seu relacionamento aberto que durou cerca de 51 anos (até sua morte) com a filosofa e escritora francesa Simone de Beauvoir
quinta-feira, 6 de abril de 2017
Sahora, aquele do PÃOZÃO DE ARROBA, prega uma peça ao famoso Maílson da Nóbrega!
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quinta-feira, 30 de março de 2017
Ditadura militar: general Mourão Filho tenta assaltar a Petrobrás, mas é desarmado por um civil desarmado!
O jornalista Elio Gaspari examina na sua obra "Ditadura Envergonhada" narra que nos primeiros dia do golpe militar, o general Olympio Mourão Filho, o detonador da quartelada militar, queria ser bem aquinhoado na di-visão do "espólio" do poder no novo regime e foi tomar satisfações com o novo ministro Costa e Silva que, habilmente, o driblou com um papo fiado e o sugeriu que as-sumisse a presidência da rica Petrobrás em nome do comando revolucionário e Mourão engoliu a isca.
Espalhafatoso e sequioso de uma rentável prebenda, o general Olympio Mourão Filho rumou para a sede da Petrobrás, fardado e com uma escolta. Nesta segunda investida em busca de poder, mais uma vez mais dava om os burros n'água. Desta feita foi driblado por um tal, Dr. Belo, secretário-geral da empresa, que engenhosamente refutou o assalto. Paciente explicou ao general, que por mais que o ministro Costa e Silva desejasse vê-lo no comando da Petrobrás, só um ato do presidente da República poderia investi-lo na função e ainda era indispensável "um recibo de caução de ações da empresa, visto que só um acionista poderia exercer a sua presidência". Mourão lembrou o Dr. Belo que estava ali em nome da Revolução. Matreiro, o humilde Dr. Belo convenceu o general que eram documentos fáceis de serem providenciados.Dançou! Acordou quando o Marechal Ademar de Queirós, com os papéis em ordem, assumira a presidência da Petrobrás.
O
veterano petroleiro explicou ao general que por mais que o ministro Costa e
Silva desejasse vê-lo no comando da Petrobrás, só um ato do presidente da
República poderia investi-lo na função. Feito isso, precisaria trazer uma
carteira de identidade (provando que era brasileiro nato) e um recibo de caução
de ações da empresa, visto que só um acionista poderia exercer a sua
presidência. Mourão explicou que estava ali em nome da Revolução. O Dr. Belo
concordou, insistindo em que os documentos eram indispensáveis, por
de-terminação do estatuto da Petrobrás. Ademais, eram documentos fáceis de ser
providenciados. Coisa de um dia, no máximo. O general aceitou a ponderação do
veterano burocrata, deu uma entrevista anunciando seu programa de ação na
empresa e voltou para Juiz de Fora.
Quando se deu conta, o marechal Ademar de Queiroz, com os papéis em
ordem, assumira a presidência da Petrobrás.
No
dia 11 de abril, depois de um conciliábulo de governadores e generais destinado
a evitar a coroação de Costa e Silva, o ge-neral Humberto de Alencar Cas tello
Branco foi eleito presidente da República pelo Congresso Nacional, como mandava
a Cons tituição. Prometeu “entregar, ao iniciar-se o ano de 1966, ao meu
sucessor legitimamente eleito pelo povo em eleições livres, uma nação coesa”.
Em 1967 entregou uma nação dividida a um sucessor eleito por 295 pessoas.
FONTE: esta obra trata-se do primeiro livro da cole-ção e primeiro volume da série As Ilusões Armadas.
O
veterano petroleiro explicou ao general que por mais que o ministro Costa e
Silva desejasse vê-lo no comando da Petrobrás, só um ato do presidente da
República poderia investi-lo na função. Feito isso, precisaria trazer uma
carteira de identidade (provando que era brasileiro nato) e um recibo de caução
de ações da empresa, visto que só um acionista poderia exercer a sua
presidência. Mourão explicou que estava ali em nome da Revolução. O Dr. Belo
concordou, insistindo em que os documentos eram indispensáveis, por
de-terminação do estatuto da Petrobrás. Ademais, eram documentos fáceis de ser
providenciados. Coisa de um dia, no máximo. O general aceitou a ponderação do
veterano burocrata, deu uma entrevista anunciando seu programa de ação na
empresa e voltou para Juiz de Fora.
Quando se deu conta, o marechal Ademar de Queiroz, com os papéis em
ordem, assumira a presidência da Petrobrás.
No
dia 11 de abril, depois de um conciliábulo de governadores e generais destinado
a evitar a coroação de Costa e Silva, o ge-neral Humberto de Alencar Cas tello
Branco foi eleito presidente da República pelo Congresso Nacional, como mandava
a Cons tituição. Prometeu “entregar, ao iniciar-se o ano de 1966, ao meu
sucessor legitimamente eleito pelo povo em eleições livres, uma nação coesa”.
Em 1967 entregou uma nação dividida a um sucessor eleito por 295 pessoas.
FONTE: esta obra trata-se do primeiro livro da cole-ção e primeiro volume da série As Ilusões Armadas.
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quarta-feira, 29 de março de 2017
Nordestinos são vagabundos esfarrapados, achava o Geisel
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sábado, 11 de março de 2017
O invejoso e o cobiçoso
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sábado, 4 de março de 2017
Antônia Maria de Lima - NOVENTA E NOVE
sexta-feira, 3 de março de 2017
Assis Chateaubriand causa urticária braba nos coxinhas ingleses!

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
Costa e Silva, ditador rancoroso!

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
"A política é um pouco ofício de bandido" (Castelinho)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
Os últimos momentos de Che
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
A ditadura perfeita por Aldous Huxley

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
Nasceu STENDHAL (Hoje na Historia)
Nasceu Stendhal (Marie-Henri Beyle), nasceu em Grenoble em 1783 em França.
Em 1799, mudou-se para Paris e, por intermédio de um primo que trabalhava no Ministério da Guerra, obteve um cargo no exército napoleônico. Um ano depois, alistou-se em seu regimento no norte da Itália, país que amava mais que o seu. A seguir, trabalhou intermitentemente no setor administrativo do exército, o qual acompanhou, em 1812, na desastrosa invasão da Rússia. Depois da queda de Napoleão, Stendhal fixou-se em Milão e começou a escrever, mas, em 1821, como as autoridades austríacas suspeitassem que ele fosse espião francês, retornou a Paris. Lá publicou um estudo psicológico, De l’amour, um primeiro e malsucedido romance, Armance, e, em 1830, sua primeira obra-prima, O vermelho e o negro. Tendo aderido à “revolução” daquele ano, solicitou um cargo público ao novo regime e foi nomeado cônsul francês em Civitavecchia, nas proximidades de Roma. Em 1838, de volta a Paris em prolongada licença, escreveu sua segunda obra-prima, A cartuxa de Parma. Com a saúde abalada, retornou pela última vez a Paris em 1841 e morreu no ano seguinte. Várias obras autobiográficas, seu Journal, assim como Souvenirs d’égotismo e notadamente um relato de sua juventude, La Vie de Henry Brulard, foram publicados postumamente.

Em 1799, mudou-se para Paris e, por intermédio de um primo que trabalhava no Ministério da Guerra, obteve um cargo no exército napoleônico. Um ano depois, alistou-se em seu regimento no norte da Itália, país que amava mais que o seu. A seguir, trabalhou intermitentemente no setor administrativo do exército, o qual acompanhou, em 1812, na desastrosa invasão da Rússia. Depois da queda de Napoleão, Stendhal fixou-se em Milão e começou a escrever, mas, em 1821, como as autoridades austríacas suspeitassem que ele fosse espião francês, retornou a Paris. Lá publicou um estudo psicológico, De l’amour, um primeiro e malsucedido romance, Armance, e, em 1830, sua primeira obra-prima, O vermelho e o negro. Tendo aderido à “revolução” daquele ano, solicitou um cargo público ao novo regime e foi nomeado cônsul francês em Civitavecchia, nas proximidades de Roma. Em 1838, de volta a Paris em prolongada licença, escreveu sua segunda obra-prima, A cartuxa de Parma. Com a saúde abalada, retornou pela última vez a Paris em 1841 e morreu no ano seguinte. Várias obras autobiográficas, seu Journal, assim como Souvenirs d’égotismo e notadamente um relato de sua juventude, La Vie de Henry Brulard, foram publicados postumamente.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
Zé Limeira em Cajazeiras: O Grito de Satanás nas Melancias
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
Dilma Rousseff, a reencarnação da Krupskaya

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Presidenta Dilma
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
Quem decide se uma moeda cai com a cara ou com a coroa voltada para o alto?
a
O século XIX logo após a 1º Guerra Mundial (1914-1918), a Europa se transformaria radicalmente foi o adeus aos países governados por imperadores, nobreza financiando vultosas festas, exércitos tinham homens a cavalo e as damas andavam com pomposos vestidos. A Guerra transmudou tudo, rapidamente. Presidentes governavam; automóveis tomavam as ruas; o submarino e o avião infringiam leis da física até então conhecidas; em vez da ópera e valsa vienense, o rádio, o jazz, os discos e o cinema, questionavam o gosto erudito da nobreza; o mundo não se dividia mais entre os partidários do Antigo Regime e os defensores dos valores da Revolução Francesa. Nesse momento, a disputa se dava entre o capitalismo e socialismo.
Neste contexto flui a fascinante obra Contraponto de Aldous Huxley numa trama demonstrando todas essas mudanças rápidas e conflitantes. Abaixo transcrevo um diálogo interessante entre os membros da carcomida nobreza nos anos pós-guerra.
— Quem decide se uma moeda cai com a cara ou com a coroa voltada para o alto? — perguntou Illidge com desdém.
— Mas por que introduzir moedas na discussão? — retorquiu Spandrell.
— Por que vens com as moedas, quando estamos falando de seres humanos?
Considera o teu caso. Será que tens o sentimento de ser uma moeda quando te acontece alguma coisa?
— Pouco importa o sentimento que eu possa ter. Os sentimentos nada têm que ver com os fatos objetivos.
— Mas as sensações, essas sim, têm. A ciência é a racionalização das percepções dos nossos sentidos. Por que haveríamos de atribuir valor científico a uma certa classe de intuições psicológicas, quando a recusamos a todas as outras? A intuição direta duma ação providencial tem tantas probabilidades de ser um meio de conhecimento dos fatos objetivos quanto a intuição direta da cor azul ou da dureza. E quando as coisas nos acontecem não temos a sensação de ser uma moeda. Sentimos que os acontecimentos têm a sua significação, que foram arranjados. Especialmente quando eles se produzem em séries. Como se a moeda caísse de cara cem vezes seguidas, digamos.
— Concede-nos ao menos o mérito de cair de coroa — disse Philip rindo. — Nós somos os intelectuais, não te esqueças. Spandrell franziu o sobrolho; aquela frivolidade fora de propósito o chocava. Era um assunto que ele levava a sério.
— Quando penso em mim mesmo — disse ele —, fico convencido de que tudo quanto me aconteceu foi, de alguma maneira, arranjado previamente. Quando garoto, tive um prenúncio do que eu poderia ter vindo a ser, se os acontecimentos não houvessem intervindo... Algo completamente diverso deste "eu" real.
— Um anjinho, hein? — troçou Illidge.
Spandrell não tomou conhecimento da interrupção.
— Mas a partir dos meus quinze anos, começaram a acontecer-me coisas à semelhança profética do que sou atualmente.
Calou-se.
— De maneira que te cresceram um rabo e uns cascos fendidos, em vez dum halo e dum par de asas. Uma história triste. Nunca te feriu a atenção — continuou Illidge, voltando-se para Walter —, a ti, que és perito em matéria de arte, ou que pelo menos devias ser, nunca te feriu a atenção o fato de que todas as reproduções de anjos em quadros são absolutamente incorretas e anticientíficas? — Walter fez "não" com a cabeça. — Um homem de 70 quilos, se lhe crescessem asas, deveria receber ao mesmo tempo músculos colossais para as mover. E grandes músculos de voo significariam um esterno em proporção, como o das aves. Um anjo desse peso, se quisesse voar tão bem como um marreco, deveria ter um esterno que passasse de 4 ou 5 pés, pelo menos. Dize isso ao teu pai, na próxima vez em que ele tiver vontade de pintar uma Anunciação. Todos os Anjos Gabriéis que existem são escandalosamente inverossímeis.
pag. 290
O século XIX logo após a 1º Guerra Mundial (1914-1918), a Europa se transformaria radicalmente foi o adeus aos países governados por imperadores, nobreza financiando vultosas festas, exércitos tinham homens a cavalo e as damas andavam com pomposos vestidos. A Guerra transmudou tudo, rapidamente. Presidentes governavam; automóveis tomavam as ruas; o submarino e o avião infringiam leis da física até então conhecidas; em vez da ópera e valsa vienense, o rádio, o jazz, os discos e o cinema, questionavam o gosto erudito da nobreza; o mundo não se dividia mais entre os partidários do Antigo Regime e os defensores dos valores da Revolução Francesa. Nesse momento, a disputa se dava entre o capitalismo e socialismo. Neste contexto flui a fascinante obra Contraponto de Aldous Huxley numa trama demonstrando todas essas mudanças rápidas e conflitantes. Abaixo transcrevo um diálogo interessante entre os membros da carcomida nobreza nos anos pós-guerra.
— Quem decide se uma moeda cai com a cara ou com a coroa voltada para o alto? — perguntou Illidge com desdém.
— Mas por que introduzir moedas na discussão? — retorquiu Spandrell.
— Por que vens com as moedas, quando estamos falando de seres humanos?
Considera o teu caso. Será que tens o sentimento de ser uma moeda quando te acontece alguma coisa?
— Pouco importa o sentimento que eu possa ter. Os sentimentos nada têm que ver com os fatos objetivos.
— Mas as sensações, essas sim, têm. A ciência é a racionalização das percepções dos nossos sentidos. Por que haveríamos de atribuir valor científico a uma certa classe de intuições psicológicas, quando a recusamos a todas as outras? A intuição direta duma ação providencial tem tantas probabilidades de ser um meio de conhecimento dos fatos objetivos quanto a intuição direta da cor azul ou da dureza. E quando as coisas nos acontecem não temos a sensação de ser uma moeda. Sentimos que os acontecimentos têm a sua significação, que foram arranjados. Especialmente quando eles se produzem em séries. Como se a moeda caísse de cara cem vezes seguidas, digamos.
— Concede-nos ao menos o mérito de cair de coroa — disse Philip rindo. — Nós somos os intelectuais, não te esqueças. Spandrell franziu o sobrolho; aquela frivolidade fora de propósito o chocava. Era um assunto que ele levava a sério.
— Quando penso em mim mesmo — disse ele —, fico convencido de que tudo quanto me aconteceu foi, de alguma maneira, arranjado previamente. Quando garoto, tive um prenúncio do que eu poderia ter vindo a ser, se os acontecimentos não houvessem intervindo... Algo completamente diverso deste "eu" real.
— Um anjinho, hein? — troçou Illidge.
Spandrell não tomou conhecimento da interrupção.
— Mas a partir dos meus quinze anos, começaram a acontecer-me coisas à semelhança profética do que sou atualmente.
Calou-se.
— De maneira que te cresceram um rabo e uns cascos fendidos, em vez dum halo e dum par de asas. Uma história triste. Nunca te feriu a atenção — continuou Illidge, voltando-se para Walter —, a ti, que és perito em matéria de arte, ou que pelo menos devias ser, nunca te feriu a atenção o fato de que todas as reproduções de anjos em quadros são absolutamente incorretas e anticientíficas? — Walter fez "não" com a cabeça. — Um homem de 70 quilos, se lhe crescessem asas, deveria receber ao mesmo tempo músculos colossais para as mover. E grandes músculos de voo significariam um esterno em proporção, como o das aves. Um anjo desse peso, se quisesse voar tão bem como um marreco, deveria ter um esterno que passasse de 4 ou 5 pés, pelo menos. Dize isso ao teu pai, na próxima vez em que ele tiver vontade de pintar uma Anunciação. Todos os Anjos Gabriéis que existem são escandalosamente inverossímeis.
pag. 290
— Quem decide se uma moeda cai com a cara ou com a coroa voltada para o alto? — perguntou Illidge com desdém.
— Mas por que introduzir moedas na discussão? — retorquiu Spandrell.
— Por que vens com as moedas, quando estamos falando de seres humanos?
Considera o teu caso. Será que tens o sentimento de ser uma moeda quando te acontece alguma coisa?
— Pouco importa o sentimento que eu possa ter. Os sentimentos nada têm que ver com os fatos objetivos.
— Mas as sensações, essas sim, têm. A ciência é a racionalização das percepções dos nossos sentidos. Por que haveríamos de atribuir valor científico a uma certa classe de intuições psicológicas, quando a recusamos a todas as outras? A intuição direta duma ação providencial tem tantas probabilidades de ser um meio de conhecimento dos fatos objetivos quanto a intuição direta da cor azul ou da dureza. E quando as coisas nos acontecem não temos a sensação de ser uma moeda. Sentimos que os acontecimentos têm a sua significação, que foram arranjados. Especialmente quando eles se produzem em séries. Como se a moeda caísse de cara cem vezes seguidas, digamos.
— Concede-nos ao menos o mérito de cair de coroa — disse Philip rindo. — Nós somos os intelectuais, não te esqueças. Spandrell franziu o sobrolho; aquela frivolidade fora de propósito o chocava. Era um assunto que ele levava a sério.
— Quando penso em mim mesmo — disse ele —, fico convencido de que tudo quanto me aconteceu foi, de alguma maneira, arranjado previamente. Quando garoto, tive um prenúncio do que eu poderia ter vindo a ser, se os acontecimentos não houvessem intervindo... Algo completamente diverso deste "eu" real.
— Um anjinho, hein? — troçou Illidge.
Spandrell não tomou conhecimento da interrupção.
— Mas a partir dos meus quinze anos, começaram a acontecer-me coisas à semelhança profética do que sou atualmente.
Calou-se.
— De maneira que te cresceram um rabo e uns cascos fendidos, em vez dum halo e dum par de asas. Uma história triste. Nunca te feriu a atenção — continuou Illidge, voltando-se para Walter —, a ti, que és perito em matéria de arte, ou que pelo menos devias ser, nunca te feriu a atenção o fato de que todas as reproduções de anjos em quadros são absolutamente incorretas e anticientíficas? — Walter fez "não" com a cabeça. — Um homem de 70 quilos, se lhe crescessem asas, deveria receber ao mesmo tempo músculos colossais para as mover. E grandes músculos de voo significariam um esterno em proporção, como o das aves. Um anjo desse peso, se quisesse voar tão bem como um marreco, deveria ter um esterno que passasse de 4 ou 5 pés, pelo menos. Dize isso ao teu pai, na próxima vez em que ele tiver vontade de pintar uma Anunciação. Todos os Anjos Gabriéis que existem são escandalosamente inverossímeis.
— Por que vens com as moedas, quando estamos falando de seres humanos?
Considera o teu caso. Será que tens o sentimento de ser uma moeda quando te acontece alguma coisa?
— Pouco importa o sentimento que eu possa ter. Os sentimentos nada têm que ver com os fatos objetivos.
— Mas as sensações, essas sim, têm. A ciência é a racionalização das percepções dos nossos sentidos. Por que haveríamos de atribuir valor científico a uma certa classe de intuições psicológicas, quando a recusamos a todas as outras? A intuição direta duma ação providencial tem tantas probabilidades de ser um meio de conhecimento dos fatos objetivos quanto a intuição direta da cor azul ou da dureza. E quando as coisas nos acontecem não temos a sensação de ser uma moeda. Sentimos que os acontecimentos têm a sua significação, que foram arranjados. Especialmente quando eles se produzem em séries. Como se a moeda caísse de cara cem vezes seguidas, digamos.
— Concede-nos ao menos o mérito de cair de coroa — disse Philip rindo. — Nós somos os intelectuais, não te esqueças. Spandrell franziu o sobrolho; aquela frivolidade fora de propósito o chocava. Era um assunto que ele levava a sério.
— Quando penso em mim mesmo — disse ele —, fico convencido de que tudo quanto me aconteceu foi, de alguma maneira, arranjado previamente. Quando garoto, tive um prenúncio do que eu poderia ter vindo a ser, se os acontecimentos não houvessem intervindo... Algo completamente diverso deste "eu" real.
— Um anjinho, hein? — troçou Illidge.
Spandrell não tomou conhecimento da interrupção.
— Mas a partir dos meus quinze anos, começaram a acontecer-me coisas à semelhança profética do que sou atualmente.
Calou-se.
— De maneira que te cresceram um rabo e uns cascos fendidos, em vez dum halo e dum par de asas. Uma história triste. Nunca te feriu a atenção — continuou Illidge, voltando-se para Walter —, a ti, que és perito em matéria de arte, ou que pelo menos devias ser, nunca te feriu a atenção o fato de que todas as reproduções de anjos em quadros são absolutamente incorretas e anticientíficas? — Walter fez "não" com a cabeça. — Um homem de 70 quilos, se lhe crescessem asas, deveria receber ao mesmo tempo músculos colossais para as mover. E grandes músculos de voo significariam um esterno em proporção, como o das aves. Um anjo desse peso, se quisesse voar tão bem como um marreco, deveria ter um esterno que passasse de 4 ou 5 pés, pelo menos. Dize isso ao teu pai, na próxima vez em que ele tiver vontade de pintar uma Anunciação. Todos os Anjos Gabriéis que existem são escandalosamente inverossímeis.
pag. 290
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Cacimbão quadrado, Vôte! Era só o que faltava inventar.
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As tropelias dos primeiros dias da ditadura militar de 1964

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domingo, 1 de janeiro de 2017
Chatô enquadra os frabricantes das caixas de fósforos!
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