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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Açude Senador Epitácio Pessoa, 100 anos de Glória e decadência

    Por José Antonio Albuquerque 

  O Açude Sena- dor Epitácio Pes-soa, conhecido po pularmente co-mo Açude Gran-de, inicialmente denominado de A-çude Cajazeiras, já olha Cajazeiras do seus 100 anos de existência. 

Casa da fazenda dos pais do Padre Rolim

      No local onde foi construído já existia um velho açu-de em terras pertencentes à família Rolim, formado por duas barragens, nos braços do Riacho Caieira, pouco abaixo da junção dos Riachos Boi-Morto e Casemiro, que completam a bacia hidrográfica do açude. Quase no centro destas duas barragens estava a casa da fazenda dos pais do Padre Rolim, fundadores da cidade, Vital de Sousa Rolim e Ana de Albuquerque, que foi destruída para dar lugar ao que é hoje o Cajazeiras Tênis Clube. 
     A seca de 1915 obrigou autoridades locais a se mobilizarem no sentido de dar serviço a cerca de mil flagelados. E foi diante do quadro triste e desolador da seca, que arrastava consigo um inseparável quadro de miséria, uma multidão de famintos, maltrapilhos, seminus, magros, anêmicos e caquéticos formavam um quadro dantesco e cruel, que no dia 27 de dezembro de 1915 foram iniciadas as obras do Açude Grande. 

 Dom Moisés Coelho, que nascera no dia 8 de abril de 1877, ano de outra grande seca, acabava de tomar posse na recém criada Dio-cese de Cajazeiras, como seu primeiro bispo, em 29 de junho de 1915. Defrontou-se com esta grande seca e começou a tomar as pro- vidências no sentido de minorar a situação aflitiva dos flagelados da seca. Dirigiu-se a diversas au-toridades, dentre elas o Presidente da República e aos bispos e padres amigos de diversas regiões do País. 
O clamor do Bispo foi ouvido pelo Vigário Geral da Diocese de Fortaleza, Monsenhor Melo, que enviou ao Bispo de Cajazeiras para socorro aos famintos cinco contos seiscentos e um mil reis (5.601$000); a Associação Comercial da Paraíba enviou trezentos mil reis (300$000) e o Bispo do Ceará mandou quatro contos, quinhentos e sessenta e cinco mil duzentos e noventa reis (4.565$290). Estes donativos foram distribuídos pelas paróquias e o restante foi reservado para melhoria no Açude de Cajazeiras. 
      Cajazeiras, em 1915 era considerada uma das mais importantes cidades do interior, não só pelo comércio, mas principalmente pela sua população que já atingia cerca de 4.000 habitantes e já possuía 458 casas. O governo não podia fechar os olhos para uma cidade onde se aglomeravam muitos flagelados. Muito embora não existissem estudos e projetos mais profundos na “Inspetoria de Obras Contra as Secas” para construção de um açude em Cajazeiras a única maneira que encontraram para solucionar o problema foi aproveitar o velho açude cujas paredes uma era de terra, mal construída e já em péssimas condições, com um comprimento de 150 metros com 5 metros de altura e outra construída de alvenaria de pedra e cal, que servia de sangradouro, que fechava o braço direito do riacho. 
A Câmara Municipal, na Sexta legislatura, (1913-1917) composta dos vereadores Joaquim Gonçalves de Matos Rolim, Juvêncio Vieira Carneiro, Emídio Assis, Joaquim de Sousa Rolim Peba, Henrique Gomes Leitão, Emídio Tomaz de Aquino, Martinho José Barbosa, Emiliano de Oliveira e Sousa e Joaquim Lima de Sousa Madeira também se engajou na luta pela construção do açude para dar amparo aos flagelados da seca. Depois de muitos estudos, no dia 18 de novembro de 1915 foi formada uma comissão construtora, tendo como chefe o engenheiro José Francisco Coelho Sobrinho, que hoje é nome de uma das mais antigas ruas da cidade, conhecida como Rua Dr. Coelho. 

A comissão só conseguiu chegar a Cajazeiras no dia 25 de dezembro, para no dia 27 serem iniciados os trabalhos. Dos mil flagelados foram alistados apenas 300. O projeto inicial foi substituído e trouxe uma vantagem, pois aumentou consideravelmente a sua capacidade para 2.599.600 metros cúbicos d’água. As duas barragens ficaram com 453,5 metros de comprimento e seu sangradouro ficou com 36 metros de comprimento, cuja fundação é assentada em rocha firme. 
A famosa escadaria da Avenida Presidente João Pessoa, foi construída como “gigante”, na administração de Antonio José de Sousa, nomeado interinamente prefeito de Cajazeiras, em março de 1947, e reformado na administração de Otacílio Jurema, no seu primeiro mandato (1951-1955), para dar sustentação a muralha. Conclusão: a parte mais funda do açude se encontra logo após a Praça Presidente João Pessoa. 
O custo do açude Um fato incrível, se fosse nos dias de hoje. O orçamento para a construção foi de 76:244$096, só que foi gasto 73:201$425, quase 3 contos a menos do que foi programado. As despesas foram efetuadas nos seguintes itens: pessoal técnico administrativo, operários, desapropriações, ferramentas, utensílios, objetos de escritórios e materiais de construção. Hoje em dia os aditivos são tantos que geralmente todas as obras têm seus orçamentos dobrados. Todos os recursos foram originados do Tesouro Nacional. 
  As desapropriações no açude Cajazeiras, umas das mais intrincadas questões se deu com relação as desapropriações. Muitos se apresentaram como proprietários das terras. Mesmo depois da conclusão do açude ficaram as terras pertencentes aos Padres Nonato Pita e Fructuoso Rolim e a de Antonio de Sousa, que se recusara a qualquer acordo amigável. O custo das desapropriações foi considerado elevado, embora se considerasse que as terras ficavam encravadas na própria cidade e num excelente local para crescimento da mesma. 
Existe um fato curioso com relação ao processo de crescimento urbano de Cajazeiras: a cidade tem como o centro a Avenida Presidente João Pessoa. Como considerar esta avenida como centro se ela é a última rua que fica ao Oeste da cidade. E é exatamente da escadaria, que tem no final dela, que se contempla “o mais belo por do sol do mundo”. 
Proprietários expropriados e quantias recebidas: 
Raiymundo Sezinando Coelho ................ 6:000$000 
Chrispim Sezinando Coelho ................ 1:377$000 
Olidon Pereira Campos ................ 1:000$000 
Dom Moysés Coelho ................ 600$000 
Sabino Gonçalves Rolim e outros ................  418$000 
Cezário Duarte Rolim ................ 504$000 
João de Souza Rolim e outros ................ 5:000$000
Epiphanio Gonçalves Sobreira Rolim ........ 415$000 
Chrispim Sezinando Coelho (benfeitorias)....... 533$000 
Total ................ 15:847$000 
    Um fato que merece destaque é que estas desapropriações foram feitas até a cota 95 do projeto como consta das escrituras públicas, aos quarenta proprietários de terra. As informações que se tem é que esta cota vai mais 30 metros além do nível d’água de sua sangria, formando a sua bacia. A realidade é que a Lei nº 3, de 12 de dezembro de 1947, autorizou o prefeito do município a regularizar o arrendamento anual da bacia hidráulica do Açude Grande, em lotes de 30 metros, com “metragem a findar no leito do riacho”. E a Câmara Municipal, em sessão do dia 13 de dezembro de 1948, discutiu e aprovou projeto de lei de autoria do vereador Romualdo Rolim, autorizando o prefeito a constituir um advogado “para defender os direitos de arrendamento das terras ocupadas pelas águas da bacia hidráulica do Açude Cajazeiras, desapropriadas pela Inspetoria de Secas e doadas ao Estado e por procuração do Governador ao prefeito, contra o professor Crispim Coelho”. Não temos conhecimento do desfecho desta questão. 
  A realidade é que nos dias atuais parte da bacia do açude está ocupada com edificações as mais diversas, inclusive com um prédio público municipal, o CAIC, cujas terras foram desapropriadas (novamente?) pelo poder público. A quem pertence o Açude No dia 06 de novembro de 1916, o tabelião Serafhim Waldemiro de Albuquerque, fez no seu cartório a lavratura do termo de entrega do Açude Público de Cajazeiras, comparecendo a este ato: o engenheiro José Francisco Coelho Sobrinho, representando a União e o Coronel Juvêncio Carneiro, prefeito em exercício, pelo governo do Estado, para que o mantenha em boas condições bem como das terras indenizadas até a cota 95, que foram desapropriadas, como consta da escrituras públicas. Assinou ainda o termo o Dr. Joaquim Victor Jurema, juiz de direito da comarca e Aprígio Bezerra de Mello, coletor federal. Era governador do Estado Camilo de Hollanda. Até os dias atuais o Açude Senador Epitácio Pessoa, cabe a Prefeitura Municipal de Cajazeiras cuidar e zelar por ele. Mais de 2 milhões de metros cúbicos d’água sem utilidade .
    Para que está servindo os dois milhões, quinhentos e noventa mil e seiscentos metros cúbicos d’água armazenados no Açude Grande de Cajazeiras, tão decantado em poesias e versos e que se costuma dizer, que do alto de sua parede se vislumbra um belíssimo por sol? Até o ano de 1964, quando foi inaugurado o sistema de abastecimento d’água, todos os habitantes se serviam das águas deste açude, desde os idos de 1820, quando os riachos foram barrados de levar as suas águas para o Rio do Peixe e daí desembocarem no mar. Muitos já prometeram despoluir suas águas, outros tantos embelezarem a sua orla, outros ainda fazerem em seu torno um anel rodoviário, sem esquecermos as várias promessas de prolongamento da Rua Cel. Guimarães, construindo um aterro e em seu curso uma belíssima avenida, bem na sua margem esquerda. E a fonte luminosa que foi iniciada e não concluída será que não poderia ser alistada entre as obras inacabadas de Cajazeiras que a CPI da Câmara Municipal está investigando? A última análise feita de suas águas pela vigilância sanitária de Cajazeiras, constatou a existência de uma quantidade de coliformes fecais acima do permitido. O Açude Grande é uma grande fossa?. Esta é uma triste realidade. Num Estado pobre como nosso e num município mais pobre ainda nos damos ao luxo de jogarmos mais de 2 milhões de metros cúbicos de água no lixo. É uma tremenda burrice, um crime sem precedente na história da cidade. De que valeram os esforços e o suor de centenas de flagelados da seca de 1917? E a ponte do sangradouro? Aí é outro capítulo triste da história deste açude e da cidade. Salvemos o nosso açude. Vamos acordar senhoras autoridades, não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar quase três milhões de metros cúbicos de água.







domingo, 31 de agosto de 2014

*FORÇAS MISTERIOSAS CONSPIRAM CONTRA CAJAZEIRAS*

Não é fortuito o slogan de Cajazeiras ser a cidade que ensinou a Paraíba ler! 
Muitos cronistas usaram da pena para defender a Terra do Padre Rolim, entre muitos, destaco hoje o Professor Antonio Sousa que muito debateu por Cajazeiras em seus artigos, hoje o Professor Antonio Sousa é História viva de nossa cidade. As suas antológicas e históricas crônica foram posteriormente compilados no livro “Cajazeiras, Nas Crônicas de um Mestre-Escola”.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

*Prof. José Antonio de Albuquerque sugere 2ª Edição do Livro Cajazeiras nas Crônicas de um Mestre Escola"*

Crédito Prof. José Antonio de Albuquerque
O ex-prefeito Francisco Matias Ro- lim sempre dedicou uma grande estima ao inolvidável Pro- fessor Antonio de Sousa e se jubila com a ideia do Prof. José Antonio de Albu-querque que numa atitude felicíssima conclama os "lideres educacionais" a iniciar um movimento para uma segunda edição, dentro das comemorações dos 150 anos da Emancipação Política do Município". A obra foi lançada em 1981 e está com a sua primeira edição totalmente esgotada.
Crédito Prof. José Antonio de Albuquerque
Este blog des- de o começo deste ano lançou um blog dedicado a esta obra inestimável do Pro- fessor são transcri- tos os capítulos deste memorável livro.


quarta-feira, 1 de maio de 2013

RETALHO DE CAJAZEIRAS V

PRAÇA ANA DE ALBUQUERQUE
Colégio Padre Rolim aonde iniciou? Poucos sabem que o seu início foi no prédio do Colégio Nossa Senhora de Lourdes! Normal e natural, pois todas as gerações dos anos 30 até hoje já conheceu o colégio onde ele está. Em frente ao colégio tem uma pracinha acolhedora com o nome de PRAÇA ANA DE ALBUQUERQUE, em homenagem à nossa Mãe Aninha. Mas o busto que tem lá é do Padre Rolim. Dá pra entender?

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segunda-feira, 8 de abril de 2013

RETALHO DE CAJAZEIRAS IV

Praça Cardeal Arcoverde
"Diante da suntuosa Igreja Catedral de Nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Cajazeiras e da Diocese encontramos um logradouro público de aspecto simpático, bem arborizado, espécie de pequeno bosque, tendo ao centro, piso pavimentado para passeios, e nas laterais, canteiros para plantas ornamentais, contendo bancos de alvenaria para assento dos frequentadores que, por acaso, queriam permanecer ali por alguns momentos”. Assim começa a crônica que o mestre José Antonio de Sousa sobre a Praga Cardeal Arcoverde, vale pelo lirismo e pela narração histórica deste logradouro público cajazeirense.
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sábado, 16 de março de 2013

*RETALHO DE CAJAZEIRAS (2) Praça Nossa Senhora de Fátima (Antiga Praça da Catedral*)

Praça Nossa Senhora de Fátima (Antiga Praça da Catedral)
A Praça Nossa Senhora de Fátima sempre é vista sob o peso e a sombra da história de Cajazeiras, foi aqui que Ana Francisca de Albuquerque, a nossa Mãe Aninha, construiu uma capela, um embrião da futura diocese de Cajazeiras. É nesta igreja que, segundo a tradição, está sepultado o corpo do Padre Rolim.
De capela veio a Matriz de Nossa Senhora da Piedade, no largo em frente o prefeito Hildebrando Leal, no ano de 1929, fez a primeira intervenção urbanística, e “passou a ser o ponto chique da cidade, o local de atração do povo, o centro das manifestações cívico-religiosas e sociais da comunidade”.
Passou um longo tempo de abandono, quando o prefeito Francisco Matias Rolim, na década de 60, demoliu tudo, preservando apenas o coreto e a transformou neste belo logradouro que conhecemos até os dias de hoje. Conversando com o ex-prefeito ele fala entusiasticamente da sua obra, recordando quando menino assistia as retretas realizadas no coreto sob a batuta do maestro Merú. Era o programa máximo da cidade.
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

*RETALHO DE CAJAZEIRAS (1)*

                 Praça Dom Moisés Coelho pag. 43-44
    Quem hoje passa pela Praça do Espinho (como é chamada popular- mente a praça D. Moisés Coelho) não deve saber que por ali corria um riacho que muito atrapa- lhava, sobretudo, os cortejos fúne- bres conduzindo féretros para o sepultamento naquele Cemitério.
Talvez também não saiba que foi Dom Moisés Coelho, nosso 1º Bispo, de saudosa memória, durante a seca de 1919, incentivou a aplicação dos recursos, que vieram em socorro dos flagelados, para fazer a primeira benfeitoria neste logradouro. Eis a razão do batizado da praça com o seu nome.
Anos depois no seu primeiro mandato o Prefeito OTACÍLIO JUREMA fez o primeiro melhoramento no local. Também no seu primeiro mandato o Prefeito Francisco Matias Rolim a incluiu no Plano Diretor da cidade, para a devida reconstrução, objetivando a modernização de sua estrutura, dando uma estética nova àquele logradouro que permanece até os nossos dias.

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

*PADRE ROLIM, SUA VIDA E SUA OBRA*

Continuando a série de pos- tagens das crônicas do Pro- fessor Antonio de Sousa na sua obra “CAJAZEIRAS, Nas Crônicas de um Mestre Escola”, hoje te- mos uma biografia do Padre Ro- lim, tema amiúde no cotidiano cajazeirense. Mas o Professor Antonio de Sousa reproduz um artigo do jornal A União, uma edição especial do dia 22 de agosto de 1937, em homenagem à Cajazeiras por ocasião das so- lenidades de inauguração do Monumento ao Padre ROLIM. Apesar dos mais de três quartos de século da sua publicação, esta passar longe de ser um panegírico a mais entre tantos dedicados ao Padre Rolim e é agradável a sua leitura.
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Veja as crônicas já publicadas do Professor Antonio de Sousa.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

SÍNTESE HISTÓRICA DE CAJAZEIRAS

No prefácio (quer lê-lo?) do livro “Cajazeiras nas crônicas de um Mestre Escola” o Professor da Ufcg, Antonio de Sousa Sobrinho com agudeza de espírito e inteligência comenta “conhecer Cajazeiras, é contatar com Antônio de Souza. Ele é um acervo vivo, uma memória ambulante, um patrimônio moral”. Hoje o Professor Antonio de Sousa já vive na imortalidade, vivificada pela obra citada ("É o espírito que vivifica; a carne para nada aproveita", Evangelho João 6,64).
São 78 crônicas diversas “abordando os mais variados assuntos” como melhor ressalva o prefaciador “São crônicas magistrais que testemunham a grandeza (vastidão e profundidade) da cultura desse Professor que enobrece Cajazeiras”. Hoje disponibilizo a crônica “SÍNTESE HISTÓRICA DE CAJAZEIRAS” que inicia a série do livro.